Caminhões parados; brasileiros em movimento. Por Heron Cid


REUTERS/Rodolfo Buhrer
REUTERS/Rodolfo Buhrer

Nem MBL, nem Cut, nem MST e nem partido nenhum. Os caminhoneiros estão mostrando que o Brasil não precisa ser puxado por liderança alguma para peitar Michel Temer e protestar contra medidas de seu governo.

Diferente de outros, os protestos espalhados pelo País não têm digital de nenhuma organização política. Eles são fruto da manifestação legítima de uma categoria que sabe exatamente sua importância quando rodando e o tamanho da sua falta parando.

A ação dos caminhoneiros ganhou a massa. O prejuízo deles não é isolado. Cada brasileiro, que passou de repente a pagar a conta do preço da gasolina, se sente representado pelos motoristas parados.

Tanto que, mesmo prejudicado pelo desabastecimento de combustível, de alimentos e até de remédios, o cidadão apoia e expressa simpatia pela atitude dos homens da estrada. E teve efeito de espiral: taxistas, uber e transportes coletivos embarcaram juntos.

E é fácil de explicar: em cada estrada bloqueada, em cada caminhão parado, as pessoas – mesmo em casa – se vêem em pleno movimento.

Fazia tempo que as massas latejavam o desejo de manifestação, mas a ausência de esperança e a sequência de frustração roubavam o ânimo.

Temer e a Petrobrás deram o ‘combustível’ que faltava.

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