Não pare! Por Roberto Cavalcanti

Empresário Roberto Cavalcanti

Já experimentou guardar por um bom tempo algum equipamento que você muito estima, como um binóculo, um gravador, uma máquina fotográfica? Deixou um apartamento fechado entre um verão e outro e não foi mais lá? Ou aquele armário cheio de roupas de frio que você guarda na fazenda para uma eventual ida no inverno? Seu carro esporte que você evita usar e o deixa sem acionamento por mais de 30 dias? Já soube de algum equipamento que, bloqueado pela Justiça, permaneça imobilizado por vários meses e não se destrua? E aquela lancha que seu último passeio foi no verão passado e por falta de uso nem o motor foi acionado?

Eu poderia fazer centenas de questionamentos para configurar que a imobilização, o não uso, é fatal. Onde quero chegar? Ao ser humano!

Caminhando essa semana pela praia de Camboinha, no litoral norte da Paraíba, com minha mulher, registrei para ela que vinha me sentindo mais bem disposto a cada dia após esse ciclo de caminhadas. De pronto, ela comentava que o sedentarismo destrói também o homem, a máquina humana.

Fiquei pensando comigo mesmo, e no túnel do tempo me transportei para a Grécia olímpica e para Roma antiga do Século II. “Mens sana in corpore sano”.

Referida afirmativa, supostamente derivada da Sátira X, do poeta romano Juvenal (Decimus Lunius Lovenalis), foi parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida: “Mente sã num corpo são”.

Nos dias atuais expressa o conceito de um equilíbrio saudável no modo de vida de um ser.

Hoje está provada uma correlação entre o nível de atividades físicas e a preservação do cérebro.

Pensei de imediato sobre pessoas que me cercaram ao longo da vida. Fazendo uma análise primária, percebi o contraste entre as sedentárias e as ativas. A começar por minha família, minha casa. Já perdi todos! Intelectuais, passaram a vida lendo, estáticos.

Fui contestado de imediato e com razão. Jamais poderia pensar dessa forma, até porque você pode conciliar as coisas, ler e se exercitar.

Aprendi a velejar junto com meu pai, que já vinha da escola de regatas a remo, um atleta intelectual. Temos que dosar as coisas na vida. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Tudo tem a sua dosimetria certa.

Comentávamos sobre o livro “Inteligência Emocional” e fizemos as individualizações caso a caso. Passamos a comentar sobre a necessidade de darmos à mente pausas. Meditações! Nossa maquineta mental também necessita de descanso.

Tendo plena consciência disso, tenho, ao inverso do que sei ser correto, agido de forma desconexa. Não paro! Faço dezenas de coisas ao mesmo tempo. Quase uma ludoterapia compulsiva. Afirmo a todo momento e a todos que o ritmo de vida que levo é o que me traz felicidade. Sou puxado pela orelha cotidianamente para aproveitar o momento presente. Viver o agora, o hoje.

Nessa batalha pessoal, posso chegar à seguinte conclusão. Cada um tem o seu tempo, o seu ritmo. De uma coisa eu tenho plena certeza. Não pare! Não deixe de ser ativo. Somos semelhantes às máquinas, aos equipamentos. Use com moderação, mas use sua vida. Não guarde!

Dentre um dos três pedidos a fazer a uma lâmpada maravilhosa, um seria, com certeza, me tire dessa vida plenamente ativo.

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