O inimigo somos nós. Por Palmari de Lucena


Ultrapassando precariamente os efeitos nocivos da maior crise moral e ética da República desde a proclamação de 15 de novembro de 1889, nos deparamos com a estonteante possibilidade de havermos baixando a altura da barra do minimalismo ético para um nível de inconfortável proximidade do rés do chão da decadência e degradação moral da nossa sociedade.

Aplaudimos e compartilhamos feitos morais extraordinários de magistrados, procuradores, policiais e até mesmo de políticos sem estabelecermos uma ligação forte e direta com virtudes como a honra, a temperança, a retidão de caráter e a solidariedade.

A prática do bem aparenta não oferecer apoio ou incentivos para o crescimento de uma sociedade mais justa e menos inclinada à violência e corrupção.

Todos temos nossos vilões favoritos, seja Lula/Dilma e o PT, Temer e a cúpula do MDB, Aécio Neves, colaboradores da Operação Lava Jato, partidos fisiologistas ou membros da nomenclatura político-partidária do Congresso Nacional e do Poder Executivo.

O Poder Judiciário e a Polícia Federal combatem a corrupção com dificuldade, muitas vezes enfrentando limitações impostas pelo Congresso Nacional. Agimos como expectadores do espetáculo trágico-circense nos picadeiros de Brasília, pisos de barro cobertos de cavaco para mitigar os efeitos nocivos da sujeira e o difuso odor enxofrento das maquinações e tramas daqueles eleitos para representar o povo.

Dificilmente encontramos alguém que admita haver votado no candidato errado, mesmo quando taxados de corruptos. Atribuímos nossas péssimas escolhas de representantes do povo à conduta alheia. Extorquimos benesses do Erário e obtemos promessas mirabolantes de políticos objetivando sempre compensação imediata, valorizando a riqueza da ousadia sobre o mérito da riqueza do trabalho.

É impossível melhorar o Brasil sem melhorarmos como um povo. Até então, o inimigo somos nós!

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