Politicamente incorreto. Por Abelardo Jurema Filho


Agildo Ribeiro, o humorista politicamente incorreto que fazia rir

É público e notório que o Brasil atravessa uma grave crise de mau humor. Está longe o tempo em que os brasileiros eram considerados um povo feliz, brincalhão, irreverente e despojado, que era capaz de rir até da própria desgraça, de fazer piada diante das situações mais inusitadas, de vaiar minuto de silêncio, de saudar o Papa João Paulo como João de Deus, entoando o seu nome no Maracanã como se estivesse numa partida de futebol.

O País do Carnaval, do Chacrinha, do Garrincha e do Fio Maravilha; de Stanislau Ponte Preta; dos personagens de Chico Anysio e da Escolinha do Professor Raimundo; das chanchadas de Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo; das piadas do Pasquim, e das charges do Ziraldo já não existe mais. Mergulhou num labirinto sombrio com regras que não comportam mais uma brincadeira, um chiste ou mesmo um comentário inocente sobre qualquer assunto que possa contrariar o que denominam como “politicamente correto”.

Chamar uma pessoa de origem africana de negro ou de negra passou a ser uma ofensa. Nem que seja de forma carinhosa e afetiva como “meu nego” ou “minha neguinha”. Em toda parte, uma placa, de quase um metro de diâmetro, está a nos ameaçar e advertir que a discriminação sexual é crime; nas escolas, adolescentes rebeldes agridem professores, mas não podem ser responsabilizados; elogiar uma mulher bonita passou a ser confundido como assédio sexual e a intolerância política dividiu País entre “coxinhas” e “mortadelas”.

Agora vai embora Agildo Ribeiro. O inimitável artista que sabia imitar a todos com perfeição e arte; o amigo do Topo Gigio, o ratinho que encantou o Brasil; o professor aloprado, vidrado na Bruna Lombardi; o sósia do Clodovil; o homem que garantiu a todos nós gostosas gargalhadas que nos fizeram mais felizes e menos amargos.

O Brasil chora a ausência do humorista politicamente incorreto que fazia rir, mesmo quando estava falando sério.

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